67% das organizações globais sofreram pelo menos um ataque cibernético nos últimos 12 meses. No Brasil, a média semanal chegou a 2.766 tentativas por empresa, segundo o relatório Hiscox Cyber Readiness de 2025.
Esse número não para de subir, é o quarto aumento anual consecutivo.
Nesse contexto, ter visibilidade sobre o que trafega na rede corporativa deixou de ser diferencial e virou obrigação. É exatamente aí que entram o IDS e o IPS: dois recursos que examinam o tráfego da rede para detectar e bloquear acessos não autorizados antes que causem dano.
Continue lendo e descubra.
O que é IDS e IPS?
IDS significa Intrusion Detection System, ou Sistema de Detecção de Intrusão. IPS significa Intrusion Prevention System, ou Sistema de Prevenção de Intrusão.
Ambos fazem parte da infraestrutura de segurança de rede. Eles comparam pacotes de dados contra um banco de ameaças conhecidas, identificam comportamentos suspeitos e sinalizam o que não deveria estar na rede.
A diferença central entre os dois está na ação que cada um toma depois de identificar uma ameaça.
O IDS é um sistema de monitoramento. Ele detecta, registra e alerta.
O IPS é um sistema de controle. Ele detecta e age, bloqueando o pacote antes que ele chegue ao destino. A lógica é a mesma de um firewall, só que o critério não é endereço IP, é o conteúdo e o comportamento do tráfego.
Como o IDS funciona na prática?

O gerenciador de análise é o núcleo do IDS. Ele consulta regras preestabelecidas, recebe os pacotes capturados da rede e os compara com assinaturas de ameaças conhecidas.
Se um pacote bater com uma assinatura cadastrada, o sistema aciona o gerenciador de defesa. A resposta varia conforme a configuração: pode ser um alerta para o administrador, um registro em log, ou o acionamento de outra camada de proteção.
Uma analogia ajuda a entender. Pense em uma câmera de segurança instalada na entrada de um prédio. Ela registra tudo que entra e sai. Se algo acontecer, você consegue rever o vídeo, entender o que ocorreu e identificar quem foi o responsável. A câmera é útil para investigação e para entender padrões. Ela não impede a entrada de ninguém.
O IDS funciona dessa forma. Ele analisa o tráfego, identifica falhas e comportamentos anômalos, e entrega essa informação para que o administrador de rede possa agir.
Como os sistemas IDS e IPS funcionam?
O IPS é um complemento direto do IDS. Ele adiciona à camada de detecção a capacidade de resposta em tempo real.
Usando a mesma analogia: agora, além da câmera, existe uma vigilância 24 horas e uma equipe de patrulha. Quando a câmera identifica alguém rondando a entrada, a patrulha é acionada imediatamente, ainda antes de qualquer invasão acontecer.
O IPS opera inline na rede, ou seja, o tráfego passa por ele antes de chegar ao destino. Quando identifica um pacote malicioso, ele reprograma o firewall automaticamente e bloqueia o endereço IP do invasor enquanto o ataque ainda está sendo preparado.
Não há espera por intervenção humana. O bloqueio acontece em tempo real.
Segundo dados da Fortinet, soluções IPS bem configuradas protegem contra ataques DoS, phishing, spam e vírus de forma automatizada, reduzindo o tempo de resposta e o volume de alertas que chegam para a equipe de TI gerenciar.

Para simplificar, imagine a seguinte situação: uma casa possui uma câmera para garantir a segurança dessa residência. A câmera registra todos os que entram e saem da residência.
Caso alguma coisa aconteça, será possível examinar o vídeo e descobrir o que houve e, mais importante, quem foi o responsável. Apesar de muito útil para solucionar crimes, a câmera por si só não os evita.
É assim que funcionam os sistemas de IDS. Eles analisam os registros de acesso à internet, procurando falhas que possam indicar uma invasão à rede, e sinalizam isso para que o administrador da rede possa agir ou entender o que está acontecendo.
O IPS é um complemento do IDS. Ele acrescenta à detecção de ataques a possibilidade de prevenção. Ambos IDS e IPS necessitam de uma base de dados de assinaturas conhecidas para realizarem a comparação com possíveis ataques.
No entanto, o IDS se restringe a detectar tentativas de intrusão, registrá-las e enviá-las ao administrador da rede. O IPS opera “inline” na rede, adotando medidas adicionais para bloquear as intrusões em tempo real.
Adicione ao contexto que imaginamos, agora, uma vigilância 24h e uma patrulha. Com a vigilância não é necessário esperar que algo aconteça para que a câmera seja útil.
Os problemas podem ser evitados, pois, com a vigilância, se alguém estiver rondando a porta, a patrulha será acionada e questionará o invasor em potencial antes que o problema aconteça.
Essa é a função do IPS. Com respaldo na análise feita pelo IDS, ele reprograma o firewall automaticamente e bloqueia o endereço IP do invasor, enquanto ele ainda estiver preparando o ataque, antes que ele ocorra.
Acesse nosso webinar completo sobre a operação do IDS e IPS:

Tipos de IDS/IPS

Tipos de IDS
HIDS (Host-based Intrusion Detection System)
O HIDS é instalado em cada máquina monitorada. Ele analisa os arquivos de log e os eventos registrados pelos agentes de auditoria daquele host específico.
É a última linha de defesa quando um ataque consegue atravessar o firewall e o NIDS. Com o HIDS, é possível identificar uso anormal de memória, processos com comportamento suspeito, conexões atípicas, utilização excessiva de CPU e chamadas de sistema não esperadas.
NIDS (Network-based Intrusion Detection System)
O NIDS monitora a rede como um todo, não apenas um host. Ele captura e analisa os cabeçalhos e o conteúdo dos pacotes que trafegam pelo segmento de rede, comparando com assinaturas e padrões de comportamento conhecidos.
É eficaz contra ataques como port scanning, IP spoofing e SYN flooding. O uso de múltiplos sensores NIDS distribuídos pela rede garante cobertura ampla e visibilidade em tempo real.
Uma vantagem importante do NIDS: ele não é visível ao atacante. O ataque é executado sem que o invasor saiba que está sendo monitorado, o que preserva a capacidade de investigação.
As desvantagens existem. Em redes muito saturadas, pode haver perda de pacotes. Tráfego criptografado também apresenta limitações de análise no NIDS.
Tipos de IPS
HIPS (Host-based Intrusion Prevention System)
Funciona de forma semelhante ao HIDS, mas vai além. Além de detectar, o HIPS toma decisões sobre o que identificou. Ele tem acesso direto ao sistema operacional e ao kernel da máquina, podendo controlar acessos ao sistema de arquivos e registros.
Um diferencial relevante: o HIPS identifica comportamentos suspeitos ao invés de apenas comparar assinaturas. Isso significa que ele consegue detectar ameaças novas, ainda não catalogadas.
Outro ponto que o separa do NIPS: o HIPS consegue analisar tráfego criptografado após o processo de descriptografia do pacote, o que amplia a capacidade de detecção de ataques ofuscados.

NIPS (Network-based Intrusion Prevention System)
O NIPS opera em dispositivos inline, como roteadores e switches, que repassam pacotes entre redes. Quando identifica um ataque, aplica regras predefinidas para bloqueá-lo.
Ele tem a capacidade de efetuar drop na conexão, impedindo que os pacotes cheguem ao destino, da mesma forma que um firewall atua. A diferença é que o critério de bloqueio vai além do endereço IP: inclui comportamento, conteúdo e padrão de ataque.
IDS e IPS: ferramentas complementares, não excludentes
Uma dúvida comum: qual escolher?
A resposta mais honesta é que eles não competem entre si. Muitos fabricantes já oferecem soluções IDPS (Intrusion Detection and Prevention System) que integram as duas funções em um único produto.
A Check Point documenta bem essa lógica: um IDS deixa uma janela de tempo para que o invasor cause dano enquanto aguarda resposta humana. Um IPS fecha essa janela atuando de forma autônoma.
Mas um IPS mal configurado pode gerar falsos positivos e bloquear tráfego legítimo, impactando a operação. Para ambientes com alta disponibilidade, como sistemas de controle industrial, a combinação das duas funções com ajuste fino das regras é o caminho mais equilibrado.
O que os dados de 2025 deixam claro é que a escolha entre monitorar e bloquear ficou menos relevante do que a escolha entre ter proteção ou não ter.
Em 2025, 67% das organizações globais sofreram pelo menos um ataque cibernético nos últimos 12 meses. Para quem ainda opera só com firewall e antivírus, esse número tem nome: superfície de ataque exposta.
O cenário de ameaças que justifica o investimento
O ransomware continua sendo o método preferido pelos criminosos, com crescimento de 32% no semestre e mais de 1.200 ataques atribuídos a grupos como Akira, Cl0p e RansomHub, segundo o Relatório de Tendências e Ciberameaças da NTT Data, primeiro semestre de 2025.
O relatório aponta ainda o avanço das fraudes baseadas em phishing e vishing impulsionadas por inteligência artificial, que utilizam clonagem de voz e identidades falsas para enganar vítimas.
Somam-se a isso mais de 1.000 violações de dados registradas no período, uma sofisticação crescente dos ataques DDoS e o surgimento de 7.664 novas vulnerabilidades, das quais 285 foram classificadas como críticas e 105 já estavam sendo exploradas ativamente.
O IDS e o IPS são os recursos posicionados exatamente na linha de frente desses vetores. Phishing que tenta explorar vulnerabilidades de rede, DDoS que sobrecarrega o tráfego, movimentação lateral de malware depois de uma infecção inicial: são exatamente os padrões que o IDS detecta e o IPS bloqueia.
No Brasil, 79% das empresas acreditam estar mais expostas a ataques cibernéticos devido à evolução da tecnologia, e somente 44% têm a alta administração envolvida no tema, segundo pesquisa da Grant Thornton Brasil e Opice Blum Advogados.
Conhecer a ferramenta é o primeiro passo. Implementar com as camadas certas é o que protege de verdade.
IDS, IPS e o firewall: como as camadas se conectam?
O IDS e o IPS não trabalham sozinhos. Eles são parte de uma arquitetura de segurança em camadas, onde cada recurso cobre o ponto cego do anterior.
Voltando ao exemplo da casa: câmera e patrulha fazem sentido. Mas sem portão, de nada adianta. O portão é o firewall.
O firewall controla o acesso às portas e janelas da rede. Ele decide o que entra e o que sai com base em regras de endereço IP, porta e protocolo. Usuários não autorizados são impedidos de acessar funcionalidades críticas. O tráfego de dados confidenciais é monitorado.
O problema é que o firewall sozinho não enxerga o conteúdo do que trafega pela rede. É aqui que o IDS e o IPS completam a proteção, analisando o que o firewall deixou passar e agindo contra comportamentos maliciosos dentro do perímetro.
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