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Contrabando, pirataria, tráfico de órgãos, inscrições para o Estado Islâmico, magia negra, monstros S.A., etc.

Muita gente pensa que são essas as coisas com as quais nos deparamos ao navegar pela famosa deep web.

Mas e aí? Essa galera está certa? Não, não está! Mas, ao mesmo tempo, não está muito errada. Confuso?

Geralmente, há uma “mistureba” entre deep e dark web (ou deep e dark net), e essa falta de demarcação nos termos gera uma confusão daquelas.

Neste artigo, vamos dissecar os dois lados dessa mesma moeda e mostrar que, ao mesmo tempo que a demonização da deep web é equivocada, navegar pelas profundezas desses mares tem sim, os seus perigos.

Prepare o colete salva-vidas e embarque com a gente nessa viagem!

Mas afinal, o que é essa tal de web?

A web (lit., teia) nada mais é que a nossa rede de computadores mundialmente interligada, ou, para os mais próximos, apenas internet. Ela é, de modo geral, dividida em três dimensões: surface web (a parte rasa), deep web (a parte profunda) e dark web (a parte ainda mais funda e turva).

Surface Web

Toda embarcação inicia uma jornada na superfície. E é aqui, na surface, que também começa a nossa navegação pelos vastos mares da internet.

Tudo aquilo que você encontra por meio dos mecanismos de busca (como o Google, Yahoo e Bing) pertence a essa dimensão superficial da net; e é nela, por exemplo, onde você se encontra neste exato momento.

Agora, imagine uma cidade (não, por mais que nossa viagem seja em alto mar, não usaremos a famigerada analogia do iceberg neste artigo hehe).

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Imaginou? Os locais públicos desta cidade seriam como os endereços da surface web.

São lugares que qualquer visitante pode acessar livremente. São partes do município onde um satélite, como o Google Earth, por exemplo, consegue facilmente localizar.

Esses endereços eletrônicos da superfície - visíveis a qualquer pesquisador - são os sites indexados, ou seja, todos os links que as ferramentas de pesquisa conseguem rastrear e armazenar em seus servidores.

Ao acessar este conteúdo livre, o computador, ou smartphone, se conecta diretamente ao servidor dos buscadores, que identifica o IP do usuário (uma espécie de “RG” do dispositivo) e envia de volta os resultados das buscas.

Estima-se que, até hoje, mais de 130 trilhões de páginas já foram indexadas.

Muita coisa, né?! E o mais impressionante é que a surface web (segundo relatório da CSO daily) representa, aproximadamente, apenas 4% de toda a internet!

E onde se encontra o restante deste conteúdo online? É lá onde vamos chegar.

Numa cidade, há lugares onde não são todos os turistas que têm acesso. Locais onde uma autorização é necessária para que possam ser acessados (tipo os edifícios corporativos, bancos, hospitais e universidades particulares, residências, etc.).

Um satélite não consegue bisbilhotar o interior destes cantos da metrópole. E são a esses espaços inacessíveis que a nossa tão mal falada deep web se compara.

Deep Web

Na rede profunda, localizada abaixo da superfície da internet, temos os sites que não são indexados. Mas calma, isso não significa que ao acessá-los você dará de cara com um hacker, com o ET Bilu, ou com o próprio capiroto.

Você provavelmente navega todos os dias por essa parte mais funda da net; pois a deep web nada mais é que a rede privada, onde um link particular ou autenticação credencial (através de logins, por exemplo) são requeridos para o acesso.

O portal dos colaboradores da firma, o saldo da sua conta no internet banking, o resultado do exame de sangue, o link da tese de doutorado daquele assunto pertinente, suas conversas no "zap", e até mesmo aquele grupo fechado dos amantes de carros antigos no Facebook… já diria Leônidas: “THIS IS DEEP WEB!”

E que bom, não é? Já pensou se isso tudo estivesse disponível numa simples pesquisa Google?

Portanto, a deep web é, basicamente, tudo o que você não encontra nos motores de busca; aquilo que não pode ser acessado de qualquer forma (o que representa a maioria esmagadora de todo o conteúdo da nossa World Wide Web).

E aí? A viagem está boa? Saímos da superfície e já ancoramos na parte profunda dessa imensidão de mar que é a internet. E é agora, ao avistarmos sua parte dark, que a aventura de fato começa.

As águas aqui são escuras. Bora mergulhar?

Dark Web

A rede obscura é o ponto final da nossa navegação. Além dela, não existe mais nada. Aqui, o buraco é mais embaixo, pois a dark web é, literalmente, o fundo do poço do submundo da internet.

Muitas questões emergem a respeito das diferenças entre dark e deep web; mas, na verdade, a darknet é apenas uma pequena fração (algo em torno de 5%) de toda a rede privada.

Tanto a deep quanto a dark são inacessíveis pelos mecanismos de pesquisa, e compostas - como já vimos - de conteúdos que não são públicos por razões diversas, como acesso pago ou mesmo por questões de privacidade.

Voltemos ao nosso exercício de imaginação:

A dark web é como se fosse os porões de uma propriedade que já é privada; funcionando, assim, como uma camada extra de privação em um local já protegido do acesso ao público geral.

É em busca de tal privacidade que os navegantes utilizam dessa porção nebulosa da internet; e é nela onde a coisa fica preta.

A dark net não é, em si, um mau (assim como não é ruim você ter um espaço onde fique fora do alcance de todos). A questão de um milhão de dólares é o que a gente faz com essa privatividade.

Logicamente, a escuridão desses porões digitais torna-se terreno fértil para aproveitadores, cibercriminosos, e gente imoral de toda espécie.

Porém, engana-se quem pensa que essa rede obscura não seja legalmente útil.

Investigadores estimam que cerca de 50% da dark web seja usada para fins legítimos.

Jornalistas, denunciantes, usuários cujos países sofrem represálias ditatoriais, ativistas e afins… todos estes usufruem da segurança dessa navegação mais privativa para fins lícitos e genuínos.

Não é só de obscuridade que se vive essa rede!

Na dark web você também pode jogar uma simples partida online de xadrez, ou se conectar a outros navegantes por meio de redes sociais alternativas, de uma forma mais anônima.

No universo da internet - onde estamos expostos o tempo todo -, não é condenável a procura por mais privacidade. Pelo contrário.

Contudo, ao navegar por águas tão turvas como as da dark net, onde crime e liberdade se misturam, as chances são grandes de esbarrar em coisas perturbadoras, tais como:

  • Mutilação;
  • Canibalismo;
  • Terrorismo;
  • Incitação à violência;
  • Pedofilia.

Além da possibilidade, é claro, de acidentalmente adentrar nos endereços escusos do mercado negro de drogas, orgãos, armas, malwares, dados roubados e documentos falsos; e de até mesmo trombar com assassinos de aluguel.

Sinistro, né?!

E acredite se quiser: por conta disso tudo, o interesse de muitos usuários comuns nesse mar tenebroso da dark net tem aumentado cada vez mais. Mas, e aí?

Como acessar a Dark Web?

Essa fração sombria da rede privada só pode ser acessada por meio de navegadores especiais.

O mais famoso deles é o TOR (The Onion Routing), inicialmente projetado para proteger a comunicação do serviço de inteligência norte-americano, mas que hoje pode ser baixado gratuitamente por qualquer navegador da surface web.

A funcionalidade deste software nos remete a uma cebola, devido às suas várias camadas de proteção criptográfica.  

Ele roteia suas solicitações por meio de uma série de servidores proxy operados por voluntários espalhados pelo mundo, tornando seu endereço IP não identificável e, consequentemente, bem mais difícil de ser detectado.

Na prática, a navegação por meio do TOR é menos complexa do que parece.

É como se o roteiro da nossa viagem fosse de São Paulo à Nova York, mas, ao invés de seguirmos uma rota direta até lá, passássemos por Moscou, Tóquio, Amsterdã, Nova Dehli, voltássemos para São João do Meriti, e seguíssemos para Beirute até aportar na cidade nova-iorquina.

Assim, essa rota seria praticamente impossível de ser rastreada (o que é perfeito para quem tem o que esconder na bagagem).

O TOR é muito eficaz nesse sentido, mas sua utilização é uma experiência semelhante à própria navegação pela dark web: assustadoramente imprevisível, pouco confiável e lenta.

Fora que, por mais que o anonimato dos porões da rede possa trazer certa segurança ao internauta, no mar da internet ninguém está plenamente seguro.

Dark pages mega famosas de contrabando já foram derrubadas por investigadores cibernéticos, e diversos golpistas dessa rede tenebrosa têm sido trackeados ao longo dos anos.

O anonimato oferecido por esse lado negro da força é poderoso, mas não infalível.

Qualquer atividade online pode conter traços da sua identidade se algum interessado cavar fundo o bastante.

E não é apenas o risco de ser espionado que você corre. Além de também ser nocivo à sua sanidade mental, boa parte do conteúdo encontrado na dark web pode comprometer o seu computador.

Quais os riscos da navegação?

Por conta dessa rede não possuir os protocolos de segurança que os provedores dos sites surface seguem para proteger seus visitantes, usuários da dark net acabam a todo momento sendo expostos a infecções por malwares, como:

  • Keyloggers;
  • Botnets;
  • Trojans;
  • Ransomwares;
  • Malwares de phishing.

Ao navegar por águas tão escuras - onde cibercriminosos de todo o globo se escondem -, um marinheiro de primeira viagem pode, facilmente, ter o seu sistema infectado.

E além de todas essas ameaças a uma rede particular, a dark web oferece, também, riscos às redes corporativas.

De acordo com o estudo ‘Into the Web of Profit’, conduzido pelo especialista cibernético Dr. Michael McGuires, o número de links da dark net que visam prejudicar empresas tem aumentado consideravelmente a cada ano.

Segundo o relatório, de todos os endereços eletrônicos obscuros que foram analisados, cerca de 60% têm potencial para afetar seriamente organizações empresariais.

Ufa! Nossa viagem foi longa, não? Embora a vista não tenha sido das melhores (ainda mais nessa área escura), esperamos que você tenha aproveitado.

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Conclusão

A deep web é toda a rede que não pode ser acessada por meio dos motores de busca, e a dark net é a parte da deep web que só pode ser acessada por meio de navegadores específicos. Assim, tudo que é dark é deep, mas nem tudo que é deep é dark.

E cuidado! Embora você possa encontrar muitas coisas boas ao navegar pelo mar da dark web, o risco de naufrágio é grande; e uma vez que você se afunda nessas águas escuras, pode ser que não encontre fôlego para voltar à superfície.

Quer se aprofundar no assunto? Confira:

Be afraid of the dark web – or learn to monitor it
The dark web goes corporate
Proxy x VPN: Quais as diferenças entre os dois?

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Fontes

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