No cenário de serviços de TI e segurança, um SLA (Service Level Agreement ou Acordo de Nível de Serviço) não define meramente um elemento burocrático, mas um documento que estabelece expectativas, responsabilidades, sendo o que separa um serviço que protege efetivamente, dos resultados que deixam buracos na segurança dos clientes.
Para profissionais do setor de cibersegurança, que atuam identificando, prevenindo e mitigando ameaças cibernéticas, entender o que deve constar em um SLA de cibersegurança, como ele é estruturado e como ele impacta diretamente seus clientes, é fundamental.
Ao longo deste artigo mostraremos como você pode planejar, negociar e operacionalizar SLAs eficientes.
O que é um SLA e por que ele é crítico em serviços de TI e cibersegurança?

Um Acordo de Nível de Serviço (SLA) é um contrato formal entre um provedor de serviços e seu cliente que define o nível de serviço a ser entregue, as métricas associadas e os papéis e responsabilidades de cada parte.
Em serviços de cibersegurança um SLA descreve claramente:
- Quais serviços de segurança serão prestados (monitoramento, resposta a incidentes, detecção de ameaças, etc.);
- Como serão medidos os níveis de serviço, como tempo de resposta ou tempo de resolução de incidentes;
- Como os resultados serão reportados;
- O que ocorre quando as metas não são cumpridas;
- Quais são as expectativas de conformidade e colaboração entre as partes.
Esse contrato serve como um roteiro de trabalho, ajudando a alinhar a operação do MSP com as expectativas do cliente, reduzindo assim conflitos ao longo do tempo.
Por que um SLA é crucial para serviços de cibersegurança?
Além de estabelecer os pontos que já apresentamos aqui, ter um SLA ajuda a você a:
Esclarecer expectativas e evitar mal-entendidos
Um SLA formaliza o que é esperado em termos de qualidade, disponibilidade e tempo de resposta. Sem isso, interpretações subjetivas podem levar a frustrações, insatisfação e quebra de confiança.
Contar com métricas para resultados mensuráveis
Definir métricas como tempo de resposta a incidentes ou tempo de recuperação significa transformar um compromisso vago (“vamos atender rápido”) em algo objetivamente mensurável e acordado com o cliente.
Executar o planejamento e governança com mais eficiência
MSPs conseguem escalar suas operações quando os SLAs são bem definidos, pois eles orientam recursos, prioridades e processos operacionais. Empresas clientes, por sua vez, obtêm maior previsibilidade de desempenho.
Componentes essenciais de um contrato SLA eficaz para MSPs
Para desenvolver um contrato SLA eficiente não basta ter uma lista de tempo de resposta, é necessário contemplar:
Descrição dos serviços
Uma lista clara e detalhada de todos os serviços de cibersegurança oferecidos (monitoramento 24/7, resposta a incidentes, testes de penetração, etc.).
Métricas e indicadores (SLOs e SLIs)
São as métricas que quantificam o nível de serviço, por exemplo:
- Tempo de resposta inicial a um incidente;
- Tempo de resolução;
- A disponibilidade de monitoramento;
- Percentuais mínimos de desempenho.
Esses objetivos são formalmente chamados de SLOs (Service-Level Objectives) e são suportados por SLIs (Service-Level Indicators).
Responsabilidades das partes
O contrato deve deixar claro o que o MSP faz e o que o cliente necessita prover, como acesso a sistemas, informações e ambientes de teste.
Processos de escalonamento e comunicação
Quando um problema não é resolvido no tempo esperado, o SLA deve explicar como ocorre a escalada para níveis superiores de suporte.
Penalidades e mecanismos de compensação
Quando o provedor não atinge o nível acordado, o SLA pode prever créditos de serviço, descontos, revisões de contrato ou outros mecanismos negociados.
Boas práticas para criação e gestão de SLAs em cibersegurança

Agora que você já entendeu o que é quais componentes e métricas devem constar em um SLA, conheça algumas práticas essenciais para a criação de e gestão de um SLA em cibersegurança.
Defina objetivos claros e mensuráveis
Evite termos vagos. Por exemplo, “responder em tempo hábil” deve virar “responder em até X minutos para incidentes críticos”.
Inclua procedimentos de escalonamento
Descreva claramente como o atendimento progride em casos de falhas no cumprimento das metas.
Revise o SLA regularmente
Organizações, ameaças e capacidades técnicas mudam. Um SLA deve evoluir para refletir esse cenário dinâmico.
Associe penalidades justas e motivadoras
Penalidades podem incentivar desempenho, mas devem ser equilibradas para evitar contestações desnecessárias.
Garanta alinhamento com compliance e frameworks
SLAs bem estruturados ajudam a atender padrões como ISO/IEC 20000 e outras exigências regulatórias, além de facilitarem as auditorias.
Como revisar um SLA existente para serviços de segurança digital?
Caso você já possua um SLA é necessário avaliar se o mesmo está bem alinhado com o cenário das suas operações, entrega, capacidade técnica e com o contexto do cliente, os riscos e também as expectativas.
Por isso, avalie e considere:
O que o SLA realmente promete?
Verifique se o SLA descreve claramente o que está sendo entregue hoje. É comum encontrar contratos que ainda falam em antivírus tradicionais, firewall perimetral ou suporte reativo, enquanto a operação atual envolve monitoramento, resposta a incidentes, automação e múltiplos ambientes em nuvem.
Se o serviço evoluiu e o SLA não acompanhou, existe um risco direto de desalinhamento entre entrega real e expectativa contratual.
As métricas ainda fazem sentido no cenário atual?
Tempos de resposta definidos anos atrás podem não ser mais aceitáveis em um contexto de ransomware com exfiltração ou ataques baseados em identidade. Revisar o SLA significa questionar:
- O tempo de resposta está adequado ao impacto do risco?
- O tempo de resolução reflete a complexidade atual dos incidentes?
- Existem níveis de severidade bem definidos no contrato?
Métricas mal calibradas não protegem o cliente e expõem os seus serviços a cobranças injustas.
As responsabilidades estão claramente divididas?
Um erro comum em SLAs antigos é transferir implicitamente toda a responsabilidade para o MSP. Em segurança digital, isso é irreal. O cliente precisa ter obrigações claras, como:
- Manter acessos atualizados;
- Seguir as políticas de uso;
- Comunicar incidentes rapidamente;
- Permitir auditorias e ajustes técnicos.
Mantenha os processos de escalonamento e comunicação atualizados
Em incidentes de segurança, tempo e comunicação são críticos. O seu SLA precisa deixar claro:
- Quem é notificado;
- Em quanto tempo;
- Por quais canais;
- Quando ocorre a escalada.
Se o SLA não reflete os fluxos reais de comunicação usados hoje, ele falha no momento mais importante: durante a crise.
Reavalie penalidades, exceções e limites de responsabilidade
Penalidades genéricas ou desproporcionais não protegem nenhuma das partes. A revisão do SLA deve alinhar:
- Penalidades realistas;
- Exceções bem definidas;
- Limites de responsabilidade compatíveis com o serviço prestado.
Isso evita conflitos futuros e fortalece a relação de confiança entre seu negócio e cliente.
Utilize a revisão do SLA como oportunidade de evolução do serviço
Mais do que corrigir falhas, revisar um SLA é uma oportunidade para:
- Elevar o nível de maturidade do seu cliente;
- Justificar novos serviços de segurança;
- Introduzir automação, resposta a incidentes e monitoramento avançado;
- Reposicionar os seus negócios como um parceiro estratégico.
Em muitos casos, a revisão do SLA é o primeiro passo para transformar suporte técnico em segurança gerenciada de verdade.
Perguntas frequentes sobre SLA em cibersegurança

O que é um SLA em cibersegurança?
Um SLA em cibersegurança é um acordo que define quais serviços de segurança digital serão prestados, os níveis de serviço esperados e os tempos de resposta para incidentes, garantindo previsibilidade e alinhamento entre MSP e cliente.
Para que serve um SLA em serviços de segurança digital?
Ele serve para estabelecer expectativas claras, definir prioridades em incidentes e evitar improviso durante crises de segurança, quando tempo e comunicação são críticos.
Quais métricas devem constar em um SLA de cibersegurança?
As principais métricas são tempo de resposta a incidentes, tempo de contenção ou mitigação, níveis de severidade, disponibilidade dos serviços de monitoramento e regras de escalonamento.
SLA de cibersegurança é igual a contrato de suporte de TI?
Não. O SLA de cibersegurança foca em risco, resposta a incidentes e proteção contínua, enquanto contratos de suporte de TI tratam principalmente de disponibilidade e atendimento técnico.
Como definir tempos de resposta adequados em um SLA de segurança?
Os tempos devem ser definidos com base na criticidade dos ativos, no impacto potencial de um incidente e na capacidade real de resposta do serviço contratado.
Quem é responsável pela segurança quando existe um SLA?
A responsabilidade é compartilhada. O SLA deve deixar claro o que cabe ao MSP e o que é responsabilidade do cliente, como gestão de acessos e cumprimento de políticas internas.
Com que frequência um SLA de cibersegurança deve ser revisado?
O recomendado é revisar o SLA pelo menos uma vez por ano ou sempre que houver mudanças no ambiente, nos serviços contratados ou no cenário de ameaças.
Quais erros devem ser evitados em um SLA de cibersegurança?
Métricas vagas, tempos irreais, ausência de níveis de severidade, responsabilidades mal definidas e contratos desatualizados são os erros mais comuns.
Um SLA de cibersegurança precisa ser documento vivo, que orienta expectativas, mensura o desempenho e mitiga riscos concretos.
Um MSP que domina a arte de estruturar SLAs alinhados às necessidades dos clientes constrói relações mais claras, reduz incertezas e demonstra capacidade de entrega consistente — essencial num mercado onde ameaças e demandas evoluem rapidamente.
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