As tendências de cibersegurança para 2026 deixam uma mensagem clara: a evolução do cibercrime impulsionada por IA e a fragilidade crescente das pequenas e médias empresas colocam os MSPs no centro da defesa digital. Essa é a realidade que já está em movimento; não uma previsão distante.
O cibercrime ficou acessível, a inteligência artificial generativa elevou o nível dos ataques e boa parte das PMEs segue com a proteção muito abaixo do necessário. Isso torna essencial ter informações objetivas sobre o que realmente é preocupante para 2026 — e, principalmente, sobre como MSPs podem mitigar riscos antes que se tornem incidentes.
Se você chegou até aqui, encontrou exatamente o que buscava. Seu relatório de tendências e previsões para 2026 começa agora.
IA ofensiva: quando o atacante aprende, imita e engana com perfeição

Começando pelo avanço da inteligência artificial ofensiva, uma estratégia que facilitou e multiplicou muito as ações dos cibercriminosos nos últimos anos. As tendências apontam uma exploração ainda maior em 2026 do poder da automação para ataques massivos, geração de áudios e vídeos falsos, além da emulação de padrões de escrita dos invasores para ações cada vez mais eficientes.
Com a inteligência artificial ofensiva os cibercriminosos criam ataques de entrada difíceis de detectar.
Engenharia social impulsionada por IA: o ataque mais provável contra PMEs
Os ataques de engenharia social aprimorados e impulsionados por IA atingiram números impressionantes em 2025. Segundo o relatório Voice of SecOps da Deep Instinct, 75% dos profissionais de segurança testemunharam um aumento nos ataques nos últimos 12 meses, com 85% atribuindo esse aumento a agentes mal-intencionados que usam IA generativa.
Explorando a IA um atacante pode:
- Gerar um áudio perfeito imitando o CEO;
- Criar um vídeo simulando uma instrução operacional;
- Reproduzir a linguagem interna utilizada em fluxos de pagamento;
- Adaptar mensagens com informações reais obtidas online.
Para pequenas empresas, isso representa um cenário crítico. Em ambientes onde poucos colaboradores acumulam muitas funções, basta uma instrução falsa convincente para autorizar transações, liberar acessos ou expor credenciais.
E as PMEs brasileiras correm um risco ainda maior, já que ocorreram 315 bilhões de tentativas de ataques no primeiro semestre de 2025 e as tendências apontam um movimento constante para 2026, segundo a Tenable.
Para MSPs é essencial ir além das configurações de ferramentas, é preciso ajudar PMEs a estabelecer rotinas seguras: processos de verificação, autenticação reforçada, alertas educacionais e canais confiáveis para confirmar solicitações atípicas.
Injeção de prompt e IA adversarial
Outro uso extremamente perigoso da inteligência artificial para 2026 são os ataques por injeção de prompt. Eles não exploraram uma falha técnica, mas influenciam um modelo de IA usado pela empresa para:
- Revelar dados internos;
- Gerar conteúdos maliciosos;
- Burlar regras de segurança;
- Expor integrações sensíveis.
Isso preocupa especialmente PMEs, que adotam IA de forma espontânea e sem políticas claras. Um simples prompt “Cole isso no seu assistente e veja o que ele responde” pode ser suficiente para vazar informações de clientes.
O papel do MSP? Assumir a liderança em governança de IA: definir limites, orientar boas práticas e implementar formas básicas de controle para evitar que a própria empresa se torne vetor de exposição.
Agentes paralelos alimentando a shadow IT
Fechando as ameaças ligadas ao uso da inteligência artificial para 2026, temos um risco silencioso: colaboradores usando agentes independentes para automatizar tarefas sensíveis nas empresas. Isso inclui:
- Redigir documentos;
- Analisar contratos;
- Acessar APIs externas;
- Transcrever dados confidenciais.
O problema? Nada disso aparece no inventário de TI. São canais invisíveis para vazamentos acidentais de informações. Por isso, o MSP precisa ajudar a empresa a enxergar esse uso oculto, oferecendo alternativas seguras e aprovadas, definindo limites e garantindo visibilidade mínima das interações com agentes externos.
O Zero Trust deixa de ser tendência e torna-se necessidade

Zero Trust, o conceito de que nenhum dispositivo ou usuário é automaticamente confiável, não é um termo distante, mas uma lógica essencial e que estará ainda mais presente em 2026. É um modelo perfeito para PMEs, pois pode ser aplicado em camadas e sem grandes investimentos iniciais.
Um MSP pode implementar Zero Trust de forma gradual:
- Verificar dispositivos;
- Exigir MFA inteligente;
- Segmentar acessos por função;
- Validar comportamento da sessão.
Mesmo uma empresa pequena ganha uma proteção significativa quando o acesso é tratado como processo contínuo, e não como barreira única.
Ransomware 2.0: o ataque que não se resolve com backup
O ransomware evoluiu. Em vez de apenas criptografar arquivos, os grupos criminosos agora priorizam roubo de dados para trabalhar a extorsão. Eles exfiltram informações críticas da vítima e ameaçam vazá-las caso a empresa não pague.
Isso torna irrelevante a estratégia antiga de “restaurar tudo através do backup”. Segunda a WatchGuard, a criptografia não compensa mais; a verdadeira vantagem agora virá da exposição e os ataques exploraram muito mais essa estratégia em 2026.
Para PMEs, o impacto é crítico:
- Exposição de dados de clientes;
- Danos reputacionais;
- Multas regulatórias;
- Perda de contratos;
- Chantagens prolongadas.
Quando o invasor realiza a publicação de um conjunto de dados sensíveis, o prejuízo vai muito além da indisponibilidade operacional, podendo levar até a falência da empresa.
A economia do cibercrime on-chain multiplicou o problema
A blockchain é uma tecnologia de registro digital distribuído e descentralizado, tendo uma previsão de poder triplicar e chegar a um valor de mercado total de US$ 10 trilhões até 2026, de acordo com analistas do Standard Chartered. Preocupantemente, essa tecnologia está na mira dos cibercriminosos e pode ser explorada para:
- Receber pagamentos instantâneos;
- Manter anonimato;
- Contratar kits de ataque;
- Comprar credenciais;
- Estabelecer infraestrutura de comando e controle.
Tal previsão de crescimento e possibilidade de exploração coloca as PMEs no radar não só de grandes grupos, mas de operadores menores que agora possuem as mesmas ferramentas, explorando essa tecnologia.
Ataques à cadeia de suprimentos: MSPs como alvos

A frequência de ataques à cadeia de suprimentos deverá continuar crescendo em 2026, talvez a um ritmo semelhante ou superior ao observado ao longo de 2025, segundo o relatório de riscos da Cowbell.
Esse dado é preocupante, pois quando um MSP é atacado, o cibercriminoso têm acesso indireto a todas as empresas que ele atende. Esse modelo “um para muitos” se tornou uma das estratégias mais lucrativas para grupos de cibercrime avançados.
Em outubro de 2025, a F5, uma das maiores fornecedoras de tecnologia de rede do planeta, revelou ter sido vítima de um ataque sofisticado, conduzido por um ator de ameaça ligado a um Estado-nação. O incidente foi classificado pela CISA, a agência de segurança cibernética dos EUA, como uma “ameaça iminente”. A empresa foi vítima de roubo de inteligência técnica, exfiltração de código-fonte e dados de vulnerabilidade.
O episódio mostrou como o comprometimento de um fornecedor upstream pode impactar centenas de organizações downstream.
Para MSPs, isso significa uma única coisa: ter uma estrutura de segurança fortalecida internamente não é diferencial, é a condição mínima para continuar operando e atendendo no mercado.
Perguntas e respostas essenciais sobre as ameaças de cibersegurança em 2026
1. Quais tendências de cibersegurança mais afetam MSPs em 2026?
IA ofensiva, ataques baseados em identidade, ransomware 2.0, cibercrime on-chain, riscos em IoT e exploração da cadeia de suprimentos.
2. Por que PMEs são o alvo preferido dos atacantes?
Possuem dados valiosos, baixa maturidade de segurança, múltiplas ferramentas sem governança e pouca capacidade de resposta.
3. Como a IA ofensiva aumenta o risco para pequenas empresas?
Ela cria golpes hiper-realistas, imita liderança, reproduz fluxos internos e convence funcionários experientes.
4. Backups ainda protegem contra ransomware?
Não completamente. No ransomware 2.0, o roubo de dados torna o backup insuficiente para evitar extorsão.
5. MSPs são alvos de ataque?
Sim, comprometer um MSP oferece acesso a todos os seus clientes, tornando-o alvo estratégico.
6. Zero Trust é viável para PMEs?
Sim. Ele pode ser implementado em camadas, começando por MFA, verificação de dispositivos e segmentação mínima.
Expansão na superfície de ataque e os riscos para as PMES
À medida que empresas pequenas adotam novas tecnologias, aumentam também suas vulnerabilidades. Nesta categoria, dois pontos se destacam:
IoT corporativo: dispositivos simples, riscos enormes
Câmeras, impressoras, sensores e equipamentos conectados à internet seguem sendo instalados sem a configuração adequada. Muitos mantêm senhas padrão, utilizam firmware desatualizado e compartilham a mesma rede de sistemas críticos.
Para um atacante, esse é o equivalente digital à janela esquecida destrancada. Com os avanços da tecnologia as previsões apontam para uma exploração maior desses dispositivos.
Dispositivos móveis: o novo perímetro real da empresa
O smartphone se tornou o principal ponto de acesso a:
- E-mails corporativos;
- Sistemas em nuvem;
- Arquivos sensíveis.
Se o dispositivo ligado à empresa é comprometido, o atacante obtém acesso imediato às chaves da empresa. As PMEs raramente possuem políticas robustas para segurança e proteção dos dispositivos, e o MSP precisa assumir essa camada de proteção com políticas claras e ferramentas acessíveis de MDM e monitoramento de sessão.
O que MSPs precisam transformar até 2026?

Diante das previsões, estatísticas e estratégias aqui apresentadas, podemos concluir que a função do MSP mudou. Em 2026, é necessário operar com cinco pilares complementares, para atender essa realidade:
1. Identidade antes de infraestrutura
Garantir que acessos sejam verificados continuamente, com privilégios mínimos e segmentação clara.
2. Automação defensiva como padrão
A velocidade do ataque exige resposta instantânea. Alertas enriquecidos por IA e investigações guiadas podem mitigar os danos.
3. Resiliência como narrativa central
Prevenção importa, mas recuperação importa ainda mais. O MSP precisa ajudar clientes a reduzir o tempo entre invasão e contenção, além de estruturar planos de continuidade realistas.
4. Governança de IA
Empresas pequenas continuarão a usar IA sem orientação. Cabe ao MSP garantir que não usem de forma insegura.
5. Portfólio expandido
A proteção moderna exige cobertura para:
- Mobile;
- IoT;
- Acessos SaaS;
- Identidades humanas e agentes;
- Superfícies distribuídas.
Esse panorama deixa uma mensagem difícil de ignorar: os MSPs que continuarem entregando apenas o básico, não conseguirão sustentar crescimento, competitividade ou resultados consistentes em 2026. O cenário mudou, os adversários mudaram; e o mercado também espera uma postura mais madura, estratégica e orientada a risco.
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E a boa notícia é simples: ainda há tempo. O ano não acabou e você pode usar este momento para construir um planejamento estratégico de segurança para 2026 que realmente prepare sua operação, seus clientes e o seu portfólio para a nova realidade da cibersegurança.
As PMEs precisam de MSPs que compreendam o cenário, antecipem riscos e entreguem segurança como pilar de continuidade.
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