Infostealers são malwares projetados para coletar credenciais, cookies de sessão, logins e dados sensíveis de dispositivos infectados; sem gerar alertas visíveis, sem travar sistemas, sem chamar atenção.
Essa invisibilidade é o que os torna tão perigosos. Enquanto um ataque de ransomware paralisa operações e força uma resposta imediata, o infostealer age em segundo plano por dias ou semanas, extraindo dados que alimentam um mercado clandestino automatizado.
Para MSPs e prestadores de TI que gerenciam múltiplos ambientes, o risco é exponencial: uma única credencial comprometida pode atravessar redes, escalar privilégios e comprometer toda uma base de clientes, muitas vezes sem que ninguém perceba até o ataque estar consolidado.
Neste artigo, você vai entender como os infostealers funcionam, quais são os riscos concretos para operações de MSP e quais estratégias de defesa realmente funcionam contra essa ameaça.
O que são infostealers e credenciais vazadas?

Infostealers são malwares desenvolvidos para coletar informações sensíveis de dispositivos infectados, incluindo logins, senhas, cookies de sessão, dados de carteiras digitais e até fingerprints (impressão digital) navegadores. Ao contrário de ataques que chamam atenção imediata, como ransomware, eles agem em silêncio, extraindo dados enviados para servidores de comando e controle e convertidos em pacotes conhecidos como stealer logs.
Esses pacotes abastecem um mercado clandestino bilionário no submundo do cibercrime.
O que acontece com as credenciais roubadas?
Elas são vendidas em fóruns clandestinos e usadas em ataques de roubo de contas (account takeover), fraudes financeiras e campanhas de phishing direcionado. Um único log pode dar acesso a múltiplos sistemas corporativos e, em cenários de MSPs, abrir portas para toda a base de clientes.
Infostealers se espalham por diferentes vetores: phishing, downloads de softwares falsos, extensões de navegador maliciosas e até campanhas de anúncios comprometidos. Para MSPs, o risco é exponencial: cada credencial comprometida representa um ponto de entrada silencioso que pode atravessar redes e comprometer contratos inteiros.
A escala do problema: números que não podem ser ignorados

O crescimento dos infostealers é uma realidade consolidada em números.
Em 2025, foram registradas quase 2,9 bilhões de credenciais vazadas globalmente, com o Lumma Stealer dominando 55% das infecções, mais que o dobro do segundo colocado, o Redline (KELA, 2025). No primeiro semestre de 2026, a Flashpoint registrou 7,4 milhões de dispositivos infectados mundialmente, alta de 27% em relação ao semestre anterior.
No Brasil, o impacto é ainda mais direto: o país registrou quase 500 milhões de credenciais vazadas em 2024 (CrowdStrike, 2025) e lidera as infecções por stealers em contagem de IPs únicos na América Latina desde 2019, com mais de 693 mil endereços comprometidos (Hakai Security, 2024).
Em junho de 2025, o maior vazamento de credenciais da história expôs mais de 16 bilhões de registros globais, com 3,5 bilhões associados a usuários de língua portuguesa (Cybernews/Exame, 2025).
Para MSPs, isso significa que um endpoint infectado não representa um incidente isolado, representa um risco sistêmico para toda a base de clientes.
O que uma credencial vazada realmente significa?

Quando uma credencial é capturada por um infostealer, o impacto não se limita ao usuário final. Para MSPs e prestadores de serviços de TI, esse tipo de incidente pode comprometer contratos, gerar violações de compliance e corroer a confiança que sustenta o modelo de receita recorrente.
Quais são os principais riscos para MSPs diante de vazamentos de credenciais?
- Account takeover em escalaUma única senha comprometida pode permitir que invasores assumam identidades digitais e usem acessos privilegiados para movimentar-se lateralmente dentro da rede de um cliente ou até em múltiplos ambientes gerenciados.
- Quebra de contratos e SLAsVazamentos podem gerar interrupções de serviço, perda de dados e falhas de conformidade com a LGPD, resultando em multas e cláusulas de ressarcimento previstas em contrato.
- Ataques automatizados de credential stuffingLogs de infostealers são usados por bots capazes de testar milhares de combinações em minutos, explorando padrões de senha e acessos compartilhados entre clientes.
- Danos reputacionais e financeirosCada incidente afeta diretamente a credibilidade do MSP, o que pode resultar na perda de contratos e na redução da receita recorrente.
Para um MSP, uma credencial vazada não é apenas um dado exposto. É uma ameaça direta à operação, ao portfólio de clientes e à sustentabilidade do negócio.
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O que acontece com as credenciais roubadas?
Entender o modus operandi por trás dos infostealers é essencial para MSPs implementarem defesas eficazes. O ataque não termina no momento em que a máquina é infectada. Na verdade, esse é apenas o começo de uma cadeia criminosa automatizada que transforma credenciais roubadas em acesso privilegiado a redes corporativas.
Como as credenciais capturadas são usadas pelos cibercriminosos?
- Coleta e empacotamento de dados
O malware extrai logins, senhas, cookies de sessão e fingerprints do dispositivo. Essas informações são organizadas em pacotes chamados stealer logs, que podem conter múltiplas credenciais por usuário. - Comércio clandestino e distribuição
Esses logs são vendidos em fóruns underground e marketplaces de malware-as-a-service. Em questão de horas, centenas de atores maliciosos podem ter acesso ao mesmo conjunto de credenciais. - Ataques automatizados de credential stuffing
Bots utilizam as senhas vazadas para testar combinações em diferentes serviços, explorando a reutilização de senhas e acessos compartilhados. Em ambientes de MSPs, isso cria um efeito em cascata que pode comprometer vários clientes ao mesmo tempo. - Engenharia social baseada em dados reais
Combinando credenciais e contexto, cibercriminosos criam campanhas de phishing altamente direcionadas, explorando a confiança dos usuários para obter acessos ainda mais profundos.
Os infostealers não apenas roubam credenciais. Eles alimentam um ciclo automatizado de ataques que pode escalar rapidamente e atingir toda a base de clientes de um MSP.
Estratégias eficazes para MSPs mitigarem infostealers e vazamentos de credenciais

Proteger seus clientes contra infostealers exige mais do que antivírus tradicionais. Para MSPs, a defesa precisa ser proativa e baseada em monitoramento contínuo, fortalecimento de endpoints e políticas de acesso robustas.
Quais são as melhores práticas para MSPs combaterem infostealers?
- Monitoramento de credenciais comprometidas em tempo realAdote ferramentas de dark web monitoring e feeds de inteligência para detectar quando credenciais de clientes aparecem em vazamentos. A resposta rápida reduz a janela de exploração e evita ataques em cadeia.
- Endurecimento de endpoints e controle de softwareInfostealers entram principalmente por dispositivos de usuários. Use EDRs com detecção comportamental, bloqueie instalações não autorizadas e restrinja o armazenamento de senhas em navegadores.
- Autenticação multifator e proteção contra automaçãoMFA robusto, de preferência com tokens físicos ou passkeys, reduz drasticamente o impacto de credenciais vazadas. Combine isso com rate limiting e mecanismos anti-bot para barrar credential stuffing.
- Gestão de senhas e segmentação de privilégiosUtilize cofres de senha corporativos e aplique o princípio de menor privilégio. Isso impede que uma única credencial comprometida dê acesso amplo a múltiplos ambientes de clientes.
- Educação contínua e simulações de ataquePhishing ainda é um dos principais vetores de infostealers. Treine usuários finais regularmente e realize campanhas de simulação em uma política de conscientização de cibersegurança para fortalecer a postura de segurança.
MSPs que combinam monitoramento proativo, autenticação forte e educação contínua conseguem transformar a proteção contra infostealers em um diferencial competitivo de alto valor.
O papel estratégico dos MSPs no combate aos infostealers no Brasil
No mercado brasileiro, os MSPs assumem uma posição relevante na proteção contra infostealers. Com a crescente digitalização de pequenas e médias empresas, a responsabilidade pela segurança de credenciais vai muito além da tecnologia: envolve continuidade de negócios, conformidade regulatória e confiança do cliente.
Por que os MSPs são a linha de frente contra vazamento de credenciais?
- Gestão centralizada de múltiplos ambientes: um MSP comprometido pode ser o elo que expõe toda uma cadeia de clientes.
- Exigências da LGPD: qualquer vazamento de credenciais pode resultar em notificações obrigatórias, multas e perda de reputação.
- Demanda crescente por serviços gerenciados de segurança: empresas que antes buscavam apenas suporte técnico agora esperam proteção proativa contra ameaças.
Os infostealers e credenciais vazadas representam hoje uma ameaça crítica à operação de MSPs e prestadores de TI. Cada credencial comprometida pode se transformar em um ataque em cadeia, colocando em risco contratos, reputação e compliance.
Ao mesmo tempo, o desafio traz uma oportunidade clara: quem adota estratégias proativas de monitoramento, autenticação forte e proteção contra infostealers se torna indispensável no mercado de cibersegurança.
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Perguntas frequentes sobre infostealers
O que é um infostealer?
É um tipo de malware projetado para coletar silenciosamente informações sensíveis de dispositivos infectados: logins, senhas, cookies de sessão, dados de carteiras digitais e fingerprints de navegadores, sem gerar alertas visíveis ao usuário.
Como um infostealer infecta um dispositivo?
Os vetores mais comuns são: phishing por e-mail, downloads de softwares falsos promovidos em anúncios pagos (malvertising), extensões de navegador maliciosas e arquivos compactados enviados por mensagens. A infecção geralmente não apresenta sintomas visíveis.
O que acontece com as credenciais roubadas por infostealers?
As credenciais são empacotadas em arquivos chamados stealer logs e vendidas em fóruns clandestinos e marketplaces de malware-as-a-service. Em horas, múltiplos agentes maliciosos podem ter acesso às mesmas credenciais e utilizá-las em ataques de credential stuffing, account takeover ou engenharia social direcionada.
Como um MSP pode detectar se um cliente foi afetado por infostealer?
As principais formas de detecção são: ferramentas de dark web monitoring que alertam quando credenciais de clientes aparecem em vazamentos, EDRs com detecção comportamental que identificam padrões de exfiltração de dados e análise de logs de acesso buscando acessos em horários ou localizações atípicas.
MFA protege contra infostealers?
O MFA reduz significativamente o impacto de credenciais vazadas, mas não elimina o risco por completo. Infostealers que roubam cookies de sessão já autenticados podem contornar o MFA tradicional. Por isso, a estratégia de defesa precisa combinar MFA robusto (preferencialmente com passkeys ou tokens físicos) com monitoramento contínuo de sessões ativas.